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Dez anos depois, pesquisadores da UFMG descobrem danos irreversíveis com desastre de Mariana

Dez anos depois, pesquisadores da UFMG descobrem danos irreversíveis com desastre de Mariana

Dez anos depois do desastre de Mariana, lama de rejeito de minério causa impactos ambientais e sociais. — Foto: Max Perdigão

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Publicado em 24/02/2025

Dez anos depois de um dos maiores desastres ambientais do mundo, pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) comprovaram, em um estudo recente, que houve uma redução de até 50% no número de tipos de árvores adultas e de 60% para mudas nas áreas de mata ciliar do Rio Doce, atingidas pelo rejeito de minério.

“Não apenas diminui o número de espécies mas também diminui a capacidade dessa área em resistir às mudanças climáticas e a espécies invasoras. Esse é um problema enorme em todo o funcionamento do bioma, porque muda a estrutura da vegetação. E além disso, muda o comportamento dos animais que dependem dessas plantas para sobrevivência”, explicou o pesquisador responsável pelo estudo, Geraldo Fernandes.

Pesquisadores fazendo coletas de plantas em mata ciliar do Rio Doce. — Foto: Arquivo pessoal

Políticas públicas: uma necessidade urgente
O estudo aponta a necessidade de investimento em políticas públicas que sejam de fato eficientes na recuperação ambiental. Além disso, há os aspectos sócio-econômicos, como garantir a sustentabilidade das comunidades afetadas pelo rejeito de minério.

Recomeços e adaptações
Miguelito Teixeira é produtor rural em Conselheiro Pena, no Leste do estado. Cresceu às margens do Rio Doce e o desastre de Mariana mudou muito a rotina de vida.

A lama fez com que ele perdesse toda a pastagem que tinha na época. Precisou vender a preços mais baixos os animais porque faltavam água e comida. E toda vez que tem enchentes no Rio Doce, ele sofre novamente alguns impactos.

“Foi um momento bem difícil, eu tinha filho na faculdade e que infelizmente teve que parar os estudos. Minha vida ficou toda comprometida. E o que nós observamos agora é que, a cada enchente que vem, o rejeito de minério volta e a gente perde toda a recuperação de solo que fizemos. Na enchente de 2022 para 2023 matou todo o capim que tinha nascido”, lamentou o produtor rural Miguelito Teixeira de Sousa.

Produtor rural Miguelito, em sua propriedade atingida pelos resíduos de minério, em Conselheiro Pena. — Foto: Arquivo pessoal
Propriedade do Miguelito atingida pela cheia do Rio Doce, com pastagem prejudicada pela lama com rejeito. — Foto: Arquivo pessoal

As cheias do Rio Doce
A reclamação dos ribeirinhos também foi comprovada na pesquisa. Segundo os estudos, durante o período chuvoso e de cheia do rio, os impactos do rejeito de minério ocorrem novamente. Isso é devido ao resíduo de minério que continua no leito do rio.

“O leito do rio agora está mais raso, está menos profundo, então quando a água transborda, espalha, ainda mais esse rejeito para vários lugares, amplificando o impacto. Toda vez que isso acontece, há um rebobinamento do problema e isso pode levar milênios pra não acontecer mais”, explicou o pesquisador Geraldo Fernandes.

Relembre a tragédia de Mariana
• Em 5 de novembro de 2015 a barragem de fundão se rompe, em Mariana.
• Mais de 50 milhões de metros cúbicos de rejeitos atingem, em 16 minutos, o distrito de Bento Rodrigues. Em 16 dias, contaminam o Rio Doce de Mariana até o Oceano Atlântico, onde desagua o rio.
• A maior tragédia ambiental da história da mineração, também afeta a vida de 2 milhões de pessoas de 39 cidades em Minas Gerais e Espírito Santo e provoca 19 mortes.
• O Ministério Público Federal denuncia 22 pessoas e 4 empresas: Samarco, Vale, BHP e Vog BR. No momento há 11 réus.

FONTE: www.g1.globo.com

Tags: CasoSamarcoDesastreMarianaRioDoce
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