Faltando apenas 9 dias para o encerramento das convenções partidárias que apontarão os candidatos na eleição de 2026, as atenções na política capixaba se voltam para a possibilidade do PSD se unir ao MDB no apoio ao candidato a governador Ricardo Ferraço.
Estava tudo certo para o PSD apoiar Lorenzo Pazolini ao Governo, porém a entrada do PL do senador Magno Malta na jogada, no apoio do ex-prefeito de Vitória, mudou os rumos do jogo. O PSD recuou e mantém conversas com os demais candidatos a governador, em busca de um novo caminho.
O acerto entre o PSD e o MDB depende da última vaga dos candidatos ao Senado, já que Renato Casagrande já foi confirmado como “primeiro nome” na disputa.
Serginho x Rose
A segunda vaga ao Senado é, hoje, condição do PSD para aderir em definitivo à campanha de Ricardo e o nome apontado é do deputado estadual Sérgio Meneguelli, o mais votado na eleição de 2024. Acontece, porém, que o MDB tem o nome da ex-senadora Rose de Freitas, que há meses trabalha para ser a candidata.
O presidente do PSD no Estado, Renzo Vasconcelos, é enfático ao querer esta segunda vaga. “Temos a palavra empenhada com o Serginho Meneguelli, eu e o presidente nacional do partido, Gilberto Kassab”, tem dito Renzo a interlocutores durante o processo de negociação, deixando transparecer que não há possibilidade de recuo.

Mas Rose de Freitas também “não abre mão” da candidatura, situação que vai exigir muito jogo de cintura nestes 9 dias até o fim das convenções partidárias.
O tema da segunda vaga ao Senado ganhou os holofotes da convenção do PSB, realizada no último sábado, quando foi oficializada a candidatura de Renato Casagrande à Câmara Alta. Não há, aparentemente, nenhuma resistência à adesão do PSD, o que já foi manifestado por Ricardo Ferraço e Renato Casagrande, porém a segunda vaga ao Senado aparece como ponto a ser equacionado.
Uma solução seria convencer Rose de Freitas a ser candidata a vice-governadora, porém dentro do apoio palaciano existe uma corrente querendo convencer o ex-prefeito da Serra, Sérgio Vidigal, a ocupar a condição de candidato a vice.
Toda esta situação envolvendo o PSD e o MDB têm, ainda, outro complicador: como fica o ex-governador Paulo Hartung nesta história? E se ele resolver virar a mesa, saindo candidato a governador com Sérgio Meneguelli ao Senado?
A crença geral, no entanto, é que Hartung vai se manter distante da eleição de 2026 no Espírito Santo. Não será candidato a nada. Mas o ex-governador também às vezes surpreende: se entrar na disputa, vira tudo de cabeça pra baixo, tendo um vista que aparece muito bem para o Senado e também para o Governo.
Briga para o Senado
Neste momento, a briga pelo Senado é que mais atrai as especulações políticas. As pesquisas mostram Renato Casagrande muito à frente e dificilmente perde a vaga; sem Paulo Hartung na disputa, o segundo colocado nas pesquisas é Serginho Meneguelli, seguido de Rose de Freitas. No grupo de Pazolini, a aposta é em Maguinha Malta, que ainda patina nas pesquisas, aparecendo também na briga dois atuais senadores : Fabiano Contarato e Marcos Duval. Contarato tem chances de crescer e até surpreender, enquanto Duval parece estar cumprindo o primeiro e último mandato no Senado.
Reconciliação
Em entrevista para a Gazeta, um dos coronéis da política capixaba, o prefeito de Barra de São Francisco Enivaldo dos Anjos, defendeu uma reconciliação entre os ex-governadores Renato Casagrande e Paulo Hartung, sugerindo até que ambos sejam candidatos ao Senado e retornem juntos a Brasília.
Enivaldo é curto e grosso ao afirmar tratar-se de uma questão de sobrevivência, já que o candidato a governador Lorenzo Pazolini defende uma espécie de “eliminação” da velha política em território capixaba.

O prefeito de Barra de São Francisco, de 76 anos, entende que tanto Casagrande quanto Hartung deram uma contribuição enorme para o Espírito Santo ser reconhecido como um Estado muito bem administrado, e a presença de ambos no Senado fortaleceria a política capixaba.
Publicado em 27/07/2026











