As proximidades do Tribunal Regional Federal da 6 Região (TRF 6), localizado em Belo Horizonte, vão ser tomadas por centenas de atingidos do Caso Samarco, na manhã de quarta-feira (10/6), que vão fazer ali um manifesto “pacífico e ordeiro”, conforme os organizadores, chamando atenção daquele setor da Justiça sobre algumas reivindicações relacionadas ao rompimento da barragem de Mariana, ocorrido em 2015.
Caravanas de várias cidades da bacia do rio Doce, viajando de ônibus fretados ou em veículos particulares, vão pedir ao TRF-6 atenção especial a duas reivindicações: uma decisão favorável ao pagamento complementar de 54 meses para quem recebeu pelo Novel, e também o retorno do pagamento do Auxílio Financeiro Emergencial (AFE), considerando que o rio Doce permanece poluído pela lama do rompimento da barragem, impedindo o retorno às atividades de milhares de atingidos.
A estimativa dos organizadores da manifestação é de que entre 300 a 500 pessoas participem da concentração próximo ao TRF 6, portando cartazes e faixas e com serviço de som para levar ao Tribunal Regional Federal suas reivindicações.
Sem desistir
Um dos organizadores do movimento, Weberty Machado, o Beto, está há semanas envolvido com a viagem dos atingidos a Belo Horizonte, organizando inclusive uma “vaquinha” com centenas de apoiadores para o fretamento dos ônibus e alimentação aos manifestantes.
“Nós vamos fazer uma manifestação ordeira e pacífica, querendo sensibilizar os juízes do TRF 6 sobre a situação difícil que atravessa os atingidos da bacia do rio Doce”, explicou Weberty Machado.
Ele explica que as reivindicações básicas são o pagamento de 54 meses complementares para quem.recebeu o Novel e a continuidade do AFE a todos os atingidos pelo desastre de Mariana, mas existem outros pontos que devem ser levados ao juízes do TRF em Belo Horizonte.
“É uma questão de Justiça fazer um novo acordo em torno da tragédia de Mariana, levando em consideração a persistência dos danos aos atingidos”, reclama Weberty Machado. Ele assegura que o rio Doce continua gravemente poluído pela lama, bem como as áreas de agricultura ao longo da bacia, “inviabilizando as atividades laborais de milhares de pessoas”. E acrescenta: “estamos abandonados, e não vamos desistir de lutar pelos nossos direitos, continuamos gravemente prejudicados pelo rompimento da barragem”.

Richardeny: manifestação é válida
A advogada Richardeny Lemke, que se tornou uma referência nas indenizações do Caso Samarco (através de requerimento dela, em 2020, foi instituído o Novel), falou ontem ao JornalFolha1 sobre a manifestação amanhã em frente ao TRF 6, considerando válido o movimento.
Richardeny está na Europa cumprindo compromissos profissionais com um grupo de advogados, e não conseguirá chegar a tempo para participar da manifestação. Gravou um vídeo abordando o movimento dos atingidos, que reproduzimos abaixo:
54 meses
A complementação indenizatória dos 54 meses, para quem recebeu do Novel, foi requerida à Justiça Federal pela própria advogada Richardeny Lemke, em 2025, com a argumentação básica de que o Acordo do Rio Doce, definiu valores indenizatórios tendo como base 125 meses. Acontece, porém, que o cálculo indenizatório para quem recebeu do Novel, levou em conta 71 meses. Neste caso, teriam faltado 54 meses de complemento da indenização.
O Novel foi instituído em 2020, pagando cerca de R$ 13 bilhões, ao longo de seis anos, a aproximadamente 130 mil atingidos da bacia do rio Doce e região estuarina. O Novel acabou se transformando no meio indenizatório mais eficiente, envolvendo bilhões em pagamentos, enquanto se discutia o Acordo do Rio Doce – que foi concluído apenas em novembro de 2024.

Publicado em 09/06/2026











Alimentar falsas esperanças na cabeça de quem já sofreu tanto com a tragédia do Rio Doce.
Vamos clarear o cenário para quem ainda insiste em cair em papo furado ou defender teses absurdas:
A farsa dos 54 meses: O sistema Novel foi desenhado justamente como um acordo de quitação definitiva. Quem aderiu e recebeu os valores aceitou os termos de encerrar o litígio sob aquelas condições regulamentadas pela Justiça Federal. Prometer “complementação retroativa” de 54 meses é ignorar como funciona o ordenamento jurídico e a segurança dos acordos homologados. Fazer vaquinha e botar ônibus na estrada para pressionar juiz com base em tese que não se sustenta nos autos é ilusão.
O AFE e a realidade dos fatos: O Auxílio Financeiro Emergencial tem critérios claros de dependência econômica e nexo causal. Tentar emplacar um “AFE para todos” de forma genérica deslegitima quem realmente precisa e preenche os requisitos legais. A Justiça não trabalha com o “eu acho” ou com pressões de palanque; trabalha com provas técnicas e laudos periciais.
Quem perde com isso? O atingido de boa-fé. Enquanto líderes de movimentos gastam tempo e o dinheiro alheio organizando caravanas para defender utopias jurídicas na porta do TRF-6, a discussão séria sobre a repactuação definitiva e indenizações justas perde o foco.
Parar a porta do tribunal com cartazes não vai mudar a jurisprudência nem reescrever decisões de quitação. Se querem lutar de verdade pela Bacia do Rio Doce, comecem respeitando a inteligência das pessoas e parem de vender promessas que a lei não ampara. Menos barulho populista e mais pé no chão!
Que deus abençoe grandemente a todos que comparecer amanhã na manifestação e que o juiz faça o certo assinado os 54meses