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Especialista em neurociência aponta queda da inteligência emocional na era da IA

Especialista em neurociência aponta queda da inteligência emocional na era da IA

Eliane Sato é mentora, escritora e especialista em neurociência aplicada ao comportamento humano, com mais de 25 anos de experiência em desenvolvimento de lideranças e performance emocional.

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Em meio ao avanço acelerado da inteligência artificial e às discussões globais sobre o futuro do trabalho e da sociedade, um novo ponto de atenção começa a ganhar força entre especialistas: o desenvolvimento emocional humano pode não estar acompanhando a evolução tecnológica.

Durante o SXSW, um dos maiores eventos de inovação do mundo, o psiquiatra Roberto Shinyashiki e destaca um ponto central do debate atual: a inteligência artificial não cria novas capacidades humanas, mas amplifica as que já existem.

A provocação, inspirada na ideia de que “a tecnologia amplifica o humano”, levanta uma questão essencial: qual humano está sendo potencializado? “A IA não cria líderes melhores. Ela amplifica o líder que você já é. Se você é ansioso, ela acelera essa ansiedade. Se não sabe ouvir, ela amplia esse comportamento”, aponta o psiquiatra.

A crise invisível da era digital

Para Sato, que tem mais de 25 anos de experiência em formação de líderes com base nos princípios da neurociência aplicada ao comportamento humano, essa reflexão revela um problema ainda mais profundo. “A grande questão não é a máquina se tornar mais inteligente. É o ser humano não saber lidar com o próprio emocional diante de tanto poder”, afirma.

Segundo ela, o mundo vive hoje um paradoxo: nunca houve tanto avanço tecnológico, mas o desenvolvimento emocional não acompanhou essa evolução. “A inteligência artificial pode replicar tarefas, voz, imagem e até decisões operacionais. Mas existe uma dimensão que ela não alcança: a capacidade de gerar sentido. E é justamente aí que está o maior desafio humano”, explica.

Esse descompasso tem impacto direto nas organizações e na vida cotidiana. De acordo com Eliane, o excesso de estímulos, a pressão por performance e a aceleração constante têm produzido indivíduos cada vez mais produtivos, porém emocionalmente desconectados.

A próxima revolução: emocional, não tecnológica

Diante desse cenário, a especialista reforça uma tese que vem defendendo em seus estudos e palestras: a próxima grande transformação global não será tecnológica, será emocional. “Os estudiosos do tema já começam a apontar isso. A próxima revolução não será sobre máquinas mais avançadas, mas sobre seres humanos mais conscientes”, avalia.

Na prática, isso significa que habilidades como autorregulação emocional, consciência, presença e capacidade de lidar com sentimentos passam a ser diferenciais estratégicos tanto na vida pessoal quanto no ambiente corporativo. “O maior desafio das organizações hoje não é tecnológico. É emocional. Temos líderes com acesso a ferramentas poderosas, mas sem preparo interno para sustentar esse nível de decisão e responsabilidade”, explica.

O amor como tecnologia humana

É nesse contexto que Eliane Sato propõe uma visão que amplia o debate: o papel do amor como elemento central dessa transformação. Na sua opinião, o amor não deve ser entendido apenas como emoção, mas como um estado neuroemocional capaz de gerar estabilidade, clareza e consciência. “O amor é o estado neurológico mais poderoso do ser humano. É a nossa tecnologia mais avançada”, afirma.

Segundo a estudiosa, enquanto a tecnologia amplia capacidades externas, o amor atua na organização interna do indivíduo, influenciando a forma como ele pensa, sente e toma decisões. “Se a tecnologia potencializa o que somos, então a pergunta mais importante deixa de ser sobre o futuro das máquinas e passa a ser sobre o desenvolvimento humano. O que estamos cultivando dentro de nós?”, questiona.

Para onde olhar agora?

Diante da aceleração tecnológica e da crescente complexidade do mundo, Sato defende uma mudança de direção: menos foco exclusivo no externo e mais atenção ao desenvolvimento interno. “A resposta não está apenas na inovação tecnológica. Está na capacidade de olhar para dentro, desenvolver consciência e fortalecer as conexões humanas”, afirma.

Para a especialista, o futuro será definido não apenas pela inteligência artificial, mas pela maturidade emocional das pessoas que as utilizam. “A tecnologia já avançou. Agora é o ser humano que precisa evoluir”, conclui.

Sobre a autora:
Eliane Sato é mentora, escritora e especialista em neurociência aplicada ao comportamento humano, com mais de 25 anos de experiência em desenvolvimento de lideranças e performance emocional. Seu trabalho integra ciência, comportamento e consciência emocional como pilares para a evolução humana e profissional.



Publicado em 31/03/2026

Tags: IATecnologia
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