Caiu como uma bomba no meio político do Espírito Santo, a reunião do PSD realizada nesta segunda-feira (20/7), que praticamente decidiu não apoiar mais o ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini e lançar ao Palácio Anchieta o ex- governador Paulo Hartung, numa composição que teria ainda o deputado estadual Sérgio Meneguelli candidato ao Senado.
A reviravolta no PSD, cujo apoio a Pazolini era considerado “sacramentado”, sofreu uma reviravolta depois da adesão, ao grupo, do PL de Magno Malta, que fez uma série de exigências (a maioria aceitas), entre elas a candidatura da sua filha Maguinha Malta ao Senado.
Este contexto desagradou profundamente o PSD, que já tinha compromisso com a candidatura de Sérgio Meneguelli ao Senado, que poderia ser alijado da disputa em função de outros nomes que também pleiteam a vaga – como Manato ou Evair de Melo. Sobraria, neste caso, ao PSD, a indicação do vice de Pazolini.
Divergências
A adesão de Magno Malta e o PL à candidatura de Pazolini provocou profundo desconforto ao PSD, que pode tomar a decisão de lançar Paulo Hartung ao Governo, situação que provocaria um “tsunami” no quadro político, uma vez que a última pesquisa da Quaest mostra o ex-governador altamente competitivo para voltar ao Palácio Anchieta pela quarta vez.
Se for lançado realmente candidato, Hartung tem tudo para disputar o segundo turno com Ricardo Ferraço, conforme sinalizam as pesquisas. Pazolini ficaria de fora, lembrando, porém, que a disputa ao Governo tem ainda o nome do deputado Helder Salomão, do PT.
Enquanto Pazolini decidia comparecer a um evento do PL com Flávio Bolsonaro, o meio político fervia com o descontentamento do PSD, que pode tomar um novo rumo e já abriu o diálogo com Ricardo Ferraço e com Helder Salomão. E a decisão precisa ser rápida: a convenção do PSD tem que ser realizada até 5 de agosto.
O jogo político, que parecia definido com um provável embate no segundo turno entre Ferraço e Pazolini, volta quase a estaca zero se Paulo Hartung entrar na briga.
Logo após a reunião do PSD, o presidente do partido no Estado, o prefeito de Colatina Renzo Vasconcelos, concedeu uma entrevista ao colunista político Vitor Vogas, de A Gazeta, com uma análise do novo quadro no Espírito Santo.
Confira:
Qual é a resolução tomada neste momento pela direção do PSD?
Nós temos um excelente quadro para discutir a possibilidade de candidatura própria, majoritária: governador e Senado. Hoje eu tenho a liberdade, dada pelo presidente nacional, Gilberto Kassab, de dialogar para que a gente possa fazer o PSD crescer, pensando no desenvolvimento do Espírito Santo. Então, eu devo conversar, nos próximos dias, com todas as frentes, para entender melhor a política para o Estado.
Na prática, isso significa que o senhor abrirá diálogo, por exemplo, com o governador Ricardo Ferraço?
Significa que eu abrirei diálogo com todas as frentes.
Incluindo o Helder?
Também. Nós vamos discutir o melhor para o desenvolvimento do Espírito Santo.
Então, se o senhor e o partido, por exemplo, concluírem que o melhor é estar numa aliança com o Ricardo, na coligação liderada pelo governador, isso está na mesa do PSD?
Está na mesa. Com certeza.
Nada está descartado?
Nada, nada. O melhor diálogo aqui, no caso, é o crescimento partidário do PSD, mas, principalmente, a evolução e o crescimento do Espírito Santo.
Vocês podem, inclusive, lançar uma chapa puro-sangue, com candidato próprio a governador e também ao Senado? E aí, nesse caso, quem ocuparia as respectivas posições?
Paulo Hartung ao Governo do Estado e Sérgio Meneguelli ao Senado.
E Lívia Vasconcelos como vice?
O partido vai ocupar o nome de vice com quem a gente achar melhor, mas Lívia pode ser candidata, sim. Também pode ser candidata a deputada.
Prefeito, em outras palavras, o senhor e o PSD decidiram reavaliar aquela decisão inicial de se coligar com o Republicanos?
Sim.
E por quê? Tem a ver com a recente união de forças do Republicanos com o PL e as últimas manifestações?
Não, não necessariamente. Tem a ver com o crescimento do Espírito Santo, crescimento partidário, o desenvolvimento do Estado e até a possibilidade de vir com uma chapa pura, visto que a gente tem os candidatos que pontuam bem, mesmo não sendo pré-candidatos.
A última pesquisa da Quest, que nós publicamos na última quinta-feira, trazendo, por exemplo, o ex-governador Paulo Hartung muito bem posicionado nas intenções de voto para o Governo do Estado, animou vocês também?
Animou, com certeza.
E o próprio Paulo Hartung? Está animado?
Paulo está daquele mesmo jeito: ele é candidato a tudo, é candidato a nada, é candidato à evolução do partido e ao crescimento partidário.
Está à disposição?
Está à disposição e com vontade política.
E quando será a convenção estadual do PSD?
Provavelmente no dia 2 ou no dia 4 de agosto.
Quanto tempo de TV e rádio deverá ter o PSD em cada bloco de 10 minutos no horário eleitoral gratuito?
Salvo engano, mais de 50 segundos. Hoje o PSD tem a quarta maior bancada da Câmara, atrás de União Progressista, PL e PT.
Entrevista: www.agazeta.com.br | Coluna Vitor Vogas
Publicado em 21/07/2026











