Na próxima quarta-feira (29/07), organizações populares, como o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e Sindicatos da região de Colatina, realizam Ato das Atingidas e dos Atingidos em Defesa do Rio Doce, que será realizado na Praça Sol Poente em Colatina, a partir das oito horas da manhã.
O objetivo do ato é a mobilização dos atingidos por cobrança por mais transparência e participação na destinação dos recursos da reparação dos atingidos. Há mais de 10 anos, a população de Colatina, de toda a bacia do rio Doce e do Litoral capixaba convivem com os efeitos do crime das empresas Samarco/Vale/BHP Billiton, e lutam para que haja reparação justa e integral. Para isso, as organizações que convocam o ato demandam a criação de mecanismos mais eficiente de controle e participação social, especialmente no uso dos recursos do novo acordo da Repactuação, que destina recursos para as três esferas do governo – federal, estadual e municipal.

Além disso, as atingidas e atingidos de Colatina relatam incerteza no uso da água, pois é captada direto do rio Doce, exigindo a compra de galões de água da população e impactando sobre a renda familiar, além do aumento em doenças dermatológica, problemas intestinais, estomacais e aumento de câncer. Nesse cenário, são as populações mais vulneráveis são as que mais tem sofrido tanto pelo custo da compra de água como pelo consumo direto das torneiras. Também há impactos na atividade econômica da população, especialmente da agricultura familiar e da pesca, que tem tido dificuldades após o rompimento e demanda ações de apoio ao desenvolvimento socioeconômico desses setores.
Por isso, as organizações exigem que o governo do estado, com destaque para Secretaria da Recuperação do Rio Doce, a SERD, e as prefeituras municipais, tenham maior diálogo com os atingidos e os movimentos sociais que constroem as lutas e pautas da população atingida pelo rompimento da Barragem de Fundão em Mariana (MG). Para Diego Ortiz, da coordenação do MAB no Espírito Santo “É necessário o monitoramento e acompanhamento dos recursos de responsabilidade dos municípios atingidos. Sabemos que as primeiras parcelas já caíram na conta do governo do estado e da prefeitura de Colatina, há exemplo dos programas de fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) (só nesse município, 47 milhões de reais), e do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), com recursos destinados aos 11 municípios atingidos do Estado do Espírito Santo. Essas políticas públicas têm o potencial para realizar mudanças reais na vida do povo atingido. Mas para isso acontecer, é necessário que respeite os espaços de participação existentes, como os conselhos municipais, e a construção de mecanismos de controle e participação social onde os atingidos possa sugerir sobre as prioridades no uso dos recursos”.

Após o ato, a população participa de espaço de diálogo junto ao governo federal no IFES de Colatina
No mesmo dia, também em Colatina, será realizada a 6ª reunião ordinária do Conselho Federal de Participação Social da Bacia do Rio Doce e Litoral Norte Capixaba. Para o Movimento dos Atingidos e as organizações sindicais, a construção de um conselho federal de participação social foi uma conquista da luta dos atingidos, onde o governo federal reconhece a falta de direito à participação popular do processo anterior de reparação conduzido pela Fundação Renova e as empresas responsáveis. Da mesma forma, os movimentos apontam que as demais esferas de governos – estadual e municipais – tem responsabilidades no acordo e precisam estruturar estes espaços de monitoramento, controle e construção popular.
O espaço será realizado no Ifes de Colatina e terá participação de atingidas e atingidos da bacia do Rio Doce (de Minas Gerais e Espírito Santo) e litoral capixaba. Nesta ocasião, atingidas e atingidos apontarão limites e problemas no processo reparatório, tais como a inclusão de mais comunidades no reconhecimento para recepção do PTR (Maria Ortiz, Barbados, comunidades do Columbia), a inclusão da Lagoa do Aguiar (Linhares/ES) por completa na mancha de inundação – reconhecendo parte de Aracruz/ES, que foi excluído dos critérios de avaliação – a partir da revisão deste estudo com responsabilização da defensoria pública do estado do Espírito Santo, Ministério Público do Espírito Santo e o Instituto Estadual do Meio Ambiente (Iema). Outro ponto a ser debatido entre os conselheiros e representantes da Pesca é o corte do Programa de Transferência de Renda (PTR) aos pescadores artesanais, que tem prejudicado a vida das pessoas da cadeia da pesca atingida.
Publicado em 28/07/2026












